"Quem conta histórias pode sobrepor muitas camadas de imaginário e real pois sabe que os limites são tênues." (Lya Luft)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Outro-Isca x Outro-Chave

Diz Kehl, (2008) analisar-se significa ir colocando-se no mundo enquanto sujeito menos zeloso da integridade narcísica do eu, menos temeroso das manifestações do Outro (inconscientes), ou seja, que leve menos a sério suas pretensões, deixando-se assim de torturar-se enquanto seus tropeços.

Quantas vezes você já se sentiu em um intervalo de tempo “Devolvendo na mesma moeda”? Esperando que o Outro sofra o mesmo? Que sinta a sua falta como você sentiu? Mas, quantas vezes quem na verdade sofreu foi você? Exceto alguns deslizes do destino, quem sofreu, tenho certeza, foi você.

            Vivemos com a alienada ilusão de que poderíamos armar uma armadilha para o Outro cair, não, na verdade armamos a nossa própria armadilha, a deixamos tão bem feita que nem precisamos de deslizes para cair, afinal armadilha pro Outro é isca pra gente, mesmo.

            O Outro é nada mais que a gente mesmo, representação de ideais (bla bla bla), coisa sem falta que a gente sempre carrega no bolso pra dar aquela comparada em momentos de angustia. Mas quanto a cada um e a cada Outro”cada um cada um” com a sua isca.

Há quem tire o Outro do bolso e compare-se pra mais ou pra menos, ou ainda aqueles que peguem o Outro e guie-se vida a fora, meio que uma idéia de Outro-chave...

            Acho que sim, Outro-chave, este tão todo perfeito que cada um de nós carrega no bolso, no bolso porque a gente é neurótico, caso contrário seria no corpo, é a nossa chave para desbravarmos outros caminhos, caminhos mais nossos, com menos armadilhas, mas sabe, a gente vai ter que engolir muita isca no meio do caminho para se dar conta desse Outro-Chave e não suscetível a armadilha, se quiseres pensar na metáfora da Armadilha, Outro-isca x Outro-chave.



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