Jardim, pré-escola, primário, ginásio, segundo grau...
Sempre estudei em Escola Pública, por alguns tempos me foi sugerido migrar para o ensino privado, mas como mudar não é algo fácil, bati o pé pra ficar onde estava, não queria ficar longe dos meus amigos... Também não estava a fim de estudar que nem uma “Louca” afinal era esta a representação que eu tinha do ensino privado, que lá se estudava muito, tinha ar condicionado nas salas (na minha, às vezes o ventilador funcionava), grandes bibliotecas (uma misera com uns 50 livros), uma cantina com todos os quitutes e salgadinhos que eu poderia imaginar (nos dias doces eu comia massinha e nos salgados biluzitos), mas a mensalidade era cara e eu ficaria longe dos meus amigos, pronto, não fui!
Em tempos de Ensino Médio (daí já tinha mudado de segundo grau para Ensino Médio) como a maioria dos adolescentes eu me bailava sobre qual faculdade fazer, queria Música, mas a única faculdade de música que eu encontrava era uma Licenciatura, me perguntava, que é isso? Licenciatura? É pra ser professora me disseram, desiste! Aí que me encantei, já era professora de música naquele momento e isto somado as minhas utopias de mudar o mundo, pensa Educação + Arte que LINDO, fiz vestibular e me debandei para o mundo da Arte-Educacao.
No início, como qualquer romance, tudo fazia os meus olhinhos brilharem, cada técnica, história e afins da Arte que aprendia me encantavam, amava as filosofias educativas, as propostas federais e estaduais e planejava, projetava um futuro para a Arte-Educacao no país, utopias ainda dos meus 19 anos.
Com os tempos passando e as experiências de estágio nas escolas da cidade de Blumenau fui me contentando apenas com a minha Arte-Educacao, ou seja, que eu conseguisse fazer algo com o meu desejo pela Arte e as utopias relativas a mesma como ferramenta transformadora associada a educação, mas aos poucos fui também percebendo que o meu desejo, minha utopias iam se esmagando por militantes desgastados “Eu também pensava assim, mas aos poucos vais ver que a realidade é bem diferente” muito me diziam isso, no início não “dava muita bola”, mas acho que os sonhos foram indo por água abaixo quando descobri que os meus sonhos e utopias eram pequenos perto da concretude política, politiqueira, subversada por uma politicagem que encontrava parágrafos e incisos nas leis do “Paraguai ao Japão”, um limite aqui outro ali... Passa o aluno, não faz isso, o salário é esse, não pode, não pode, não pode sonhar, fantasiar isto é coisa de Artista e Arte ainda se faz somente na Europa e na Norte-América aqui nos contentamos com o Artesanato pra podermos comer o - pão nosso - de cada dia e assistir a reprodução de objetos grotescos, nós mesmos e nossos futuros filhos, alunos, etc.
Escrevo recordando da minha Escola, da primeira greve de professores que vivenciei (a minha primeira férias fora de época), sinto-me de mãos dadas com cada professor que de alguma forma me deixou marcas... Entre a necessidade da calculadora e a compreensão de um problema aritmético, o dicionário, o corretor ortográfico do Word e a capacidade de poetizar, enfim entre os lugares habitados e as geografias perdidas nos confins do meu estado e do meu país, mas de alguma forma me restaram estas marcas de sonhar, fantasiar...
Sensibilizada pela greve dos professores do Estado de Santa Catarina, não somente por ter conhecido de perto a realidade da educação em nosso estado (desde salas em condições de uso grotescas, bibliotecas com livros que nem se sabe o porquê de ali estarem, professores desmotivados com o descaso da iniciativa pública e como não poderia deixar de ser, alunos construindo certezas de que a educação neste pais é uma lorota (greve é mini-férias), enfim, vamos nos mobilizar por estes que em meio a tantos descasos ainda trabalham para que algo, mesmo que mínimo seja superado neste país, que lutam por aberturas políticas e sociais, etc.
Estes que ainda sonham!

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