"Quem conta histórias pode sobrepor muitas camadas de imaginário e real pois sabe que os limites são tênues." (Lya Luft)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O DIFERENTE! De ovelha negra para pele de cordeiro. (Valorize-se!)



Racismo, homofobia, machismo, será que consigo falar sobre isso sem ser apedrejada?

            Sim, temas complexos que carregam ideologias compostas por demasiados encontros e desencontros paradigmáticos, dito de outro modo, com insígnias de “mils e antigamente”, mas que não deixam de serem importantes, pelo contrário, história e espaço delimitam papéis, funções, lugares, perfis, normalidades, patologias, modelos, vitrines, marketing (análises da vaga palavra psicossocial), mas e o que fica fora disto?

             O que?

         O diferente. Diferente do que? Dos ideais dominantes do ser (Espaco-Tempo no sentido antropológico, sociológico e gostaria de lembrar a ênfase dada a este tema nas mais distintas teorias psi): Mulher, Homem, Erótico, corporal, etc.

É assim, para ser feliz você deve somar o que diz o cabeleireiro, o dono da loja (que seja do alto escalão), admirar os corpos malhados e sarados que passam nos calçadões a fora (Como não reparar?) ou até mesmo as medidas das roupas da estação (pra gente no máximo manequim 40 e olhe lá) e bom se fores corajoso experimentar um beijo na boca em alguém do mesmo sexo em público, o resultado disso tudo? Carões (faces, arrobas, blogueiros, etc.) tu és sujeito vaso (igual à linfática da rica chiquetosa) ou diferente (fashion/brega), subversiva ou quem sabe isso não lhe valha nada e a sua diferença esteja dada na pigmentação do seu corpo, ou melhor, nas marcas do seu ser (hora de desmistificar mental e corporal, O SER, ok?).

Imagine só, você vestindo uma calca boca de sino, um gel Bozzano no cabelo naquele estilo ondinha com uma mechinha loira na franja, mas ok, também não precisa gozar com a diferença, afinal os limites entre a “moda” e o “brega” são bastante tênues e este limite é você quem dá do tipo, acho que sim uma calca boca de sino pode cair bem com uma camisa xadrez amarrinha na cintura e um sapatinho desse estilo Oxford (pelo menos pra mim), mas só a boca de sino em si? Humm acho que daí vais ter que encarar que essa moda já passou, tais passado (a) (Pelo menos pra mim, tais brega), DESCONTEXTUALIDADO, quem sabe tenta a boca de sino “empapada na bota, pode ser fashion, mas é preciso correr os riscos da breguisse.

Mas bom, voltando ao que interessa ou nem tanto, afinal pelo que entendo estas sao versões do mesmo, penso que atiramos como cegos em tiroteio quando criamos movimentos buscando igualdade, digo isto, pois parece estarmos buscando a boneca da vitrine da Chanel, um casamento real, um rostinho a lá Jackson e nós? E o nosso “q” especial?

Quem somos? (Pergunta clichê Deise Priscila, mas ok, responda-te!) Penso que sejamos uma mistura de cada um desses adereços imperativos contemporâneas, mas que no espelho de cada dia transmuta-se de imperativos para desejos, transforma traços (imperativos, marketeiros) grupais em singulares e permite circular nos mais variados espaços, claro, melhor naqueles que mais condizem com o seu estilo de ser, etc. Cuidado porque o lugar também delimita “breguisse, fashionisse e normalisse”.

 Entendo que a luta não seja pela igualdade, mas sim pela diferença, pela idealização do ser negro, homossexual, mulher, pela criação cultural dessas figuras subordinadas aos ideais vogue que nos caem como cascata, nos outdoors e catálogos da vida, enfim, nos marketings imperativos contemporâneos. A sacada? Seja você (um clichê? Difícil de responder, insisto!), mas não tão estranho (diferente) ao ponto de não encontrar um lugar no social, agrupe-se e crie o seu lugar, um lugar somado de diferenças auto-sustentáveis e assim: Não choraminga não ter lugar e ser olhado como aberração, o fashion, ou melhor, o toque final é você quem dá não a lacoste, nem o pano de chão amarrado na cintura, enfim, contemporâneos com a difícil tarefa de sermos singulares diante dos imperativos sociais, nosso tal atualíssimo sintoma social.

 Que tal um convite para uma construção singular-universal - Sartre querido tinha razão -, Freud quem diga com a formação dos sintomas de cada época, Bandura que constante as contingências, quem somos nós em meio a este balaio de gatos, qual o seu colorido? Perguntaria Vygotsky e todos os outros a seu estilo (Freud, Lacan, Bandura, Sartre)... Quem foram eles senão por hora bregas e por outra ídolos da moda, pelo menos psi.

Muito foca no desrespeito a diferença aquele que não pode por algum motivo da sua história reconhecer o “q” fashion da breguice singular e alheia. Contudo, prefiro ser brega e fashion, como quiseres do que dicotômica a lá doce ou salgado, com o direito de estar amarga.

O negócio é idealizar-se, enquanto idealizam-se imagens de felicidade perfeita o diferente é ovelha negra, do contrário, pele de cordeiro.

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