"Quem conta histórias pode sobrepor muitas camadas de imaginário e real pois sabe que os limites são tênues." (Lya Luft)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Finalmentes Comemorativos


   Eis a época do ano em que mais se misturam sentimentos e emoções... Prazeres e felicidades por deveres cumpridos, desejos realizados, planos construídos, enfim, sensação de ter feito tudo e estar pronto para recomeçar nas novidades que prometem o ano porvir, como também angústia de concluir, recomeçar, rever que as coisas não foram bem assim como haviamos elucrubrado, saudades... uma infinita sensibilidade.
                Nos últimos dias falei com pelo menos 5 pessoas que relataram sentimentos de todas essas ordens, confesso não ter me surpreendido, pelo contrário serviram-me como consolo por ser mais uma neste balaio de sentires que a mim refletem em algumas angústias e quem sabe olhares brilhantes para a novidade que está no ar.
                O fato é que diante desses mixes de sentimentos muitos recursos estão disponíveis para que não nos debrucemos a sentir, ou melhor, para nos auto-anestisiarmos, são as tais vantagens e mais vantagens propostas pelo comércio, os planos de brindes para a virada de ano, as férias glamorosas e etílicas, etc etc etc, será que alguém vai ter tempo para pensar nesse turbilhão de sentimentos ou vai ser assim mesmo, uma comprinha aqui, um goró alí e puft hora de trabalhar pra pagar as dividas...
                Sei lá, talvez a vida seja dura demais mesmo para que algumas pessoas se ponham a pensar, ou melhor, acho que os pensamentos lhes colocariam diante de uma realidade tão pesada que não teriam mínimas forças para revelarem tantos amigos secretos, fazerem tantas belas caras nos encontros familiares, é, talvez tivessem que encarar um bom sofá, caminha e ar condicionado pra darem conta da imensidão que se vive em um ano, ou mais e mais no acumulado de uma vida não elucubrada.
                Eu sei, talvez eu pense demais, me pergunte tanto que não encontre respostas, mas hora eu prefiro uma vida com perguntas verdadeiras que um cotidiano anestesiado por artificialidades comemorativas.
                Bons pensamentos e já que está na moda, que os encontros desses finalmentes cotidianos lhes permitam findar e recomeçarem de uma maneira inusitada, assim, desejo um caminhar disponível ao inusitada à todos.

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