"Quem conta histórias pode sobrepor muitas camadas de imaginário e real pois sabe que os limites são tênues." (Lya Luft)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Vander Lee - Meu Jardim


O artista e a música me foram indicados por uma amiga, lindo!

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores 
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores 
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores 
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho 
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho 
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho

Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

Gira-Gira


Que viver seja algo sem tamanho, não tenho dúvidas, com ressalvas, óbvio, quando entramos em um movimento que deixa toda e qualquer abertura de vida condensada, aí cada um dá o seu jeito, no real se está dando voltas em círculos, voltas necessárias para que seja construída uma nova ótica, é meio que um movimento de ir circulando e recolhendo marcas para construir um “caminho-outro”.

             A sensação é semelhante a de sair de um daqueles brinquedos que fica girando girando até dizer para! Saímos tonteados, andamos tortos, sem saber onde estamos e aos poucos vamos recuperando nossa capacidade de equilibrarmo-nos e observarmos.

            Se a vida fosse análoga a um parque de diversões (E pode ser mesmo), seriamos um de nós em cada brinquedo, um de nós que escorrega, que sobe e desce na gangorra, desce o mastro e vai vai vai bem alto no movimento da balança até encontrar-se com a sensação de poder voar, sair do parque, ir para outro lugar para dar novos giros e quem sabe descobrir um novo brinquedo.

            Assim viver parece sem tamanho porque podemos ser muitos de nós mesmos ao sairmos do gira-gira, porque podemos encontrar uma balança minimamente forte e energia suficiente para impulsionarmo-nos até nos encontrarmos com a sensação de deliberadamente termos saído do chão.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Para tudo que está Lado a Lado



Gosto
de representar a vida como uma longa caminhada, ora estamos em linha reta, em
momentos nos retorcemos para fazer uma curva, andamos em círculos, mas o que dá
um gostinho especial para isso tudo é que dificilmente sabemos pra onde nossos
passos estão nos levando, mas precisamos sair, caminhar, se deparar com coisas
coloridas, acinzentadas, se estranhar com os lugares novos, viver coisas
diferentes, experimentar novos sabores, encantar-se, desencantar-se...
E em
meio a isso tudo, nossos olhinhos brilham por algumas pessoas que parecem
querer dividir alguns passos desta caminhada conosco, pessoas que estão aí para
dividir cada coisinha que vamos encontrando, pessoas para viver junto, viver de
tudo, lágrimas, gargalhadas, dúvidas...
E hoje dividimos nossos passos, distantes ou próximos
afinal o que se vive lado a lado nos marca em qualquer lugar que se esteja!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Infinito Particular





Um momento particular
O corpo arrepia
Os olhos brilham, tudo vira aquarela
O mundo se alarga, o infinito se arma
Os amores parecem menores
As possibilidades infinitas
A fantasia voa porque descobre suas asas
Infinitas unidades se plastificam e a vida plastifica-se!



"O mundo é portátil

Pra quem não tem nada a esconder"

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Djavan - Nas ondas do mar e dos sons!




Sempre fui apaixonada por Djavan, pelas letras, melodias, arranjos, harmonias e principalmente pela forma sutil com que o mesmo trata do amor, sutileza que por momentos produz-me a sensação de sentir amor misturado com maresia.
            Escuto Djavan e sinto-me como se estivesse sentada beira-mar e deixando-me embalar pelas ondas, pelo vazio do horizonte, pelos sons intensos e suaves das ondas, pelo ventinho que parece vir de bem longe.
            Djavan parece fundir Bossa Nova com Pop e isto é fantástico, pois dá um ar de complexidade ao fútil, meio que um Garota de Ipanema misturado com Anna Julia, tomando destas o que há de melhor, óbvio!
            Djavan varia tanto a utilização de notas nas suas composições que é impossível não remetê-lo ao compositor das cores e é assim que o mesmo é conhecido, visto que consegue reproduzir metaforicamente as cores cotidianas, metaforicamente, porém com leveza e charme, por isso Djavan é um luxo!
            Para os que não o conhecem, ou melhor, que apenas ouviram composições como Oceano e Meu bem querer, sugiro que despendam um pouco das suas orelhas e permitam-se deixarem-se levar pelas ondas (ou o que for que lhes leve), de Djavan.
Sempre fui amante das ondas do mar e dos sons e as canções de Djavan foram as que mais me uniram a estes prazeres.
Djavan foi o nome de um navio conhecido por sua mãe, fui saber disto a pouco tempo, interessante!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha [...] I Want to Break Free...



Sempre que retornamos a lugares que nos marcaram temos a sensação de revivermos um emaranhado de sensações e emoções, ainda mais quando este lugar tem cheiro de infância.
Estou lendo o livro Mar de Dentro da Lya Luft e ela muito me inspirou na viagem deste final de semana, não que antes as minhas recordações não fossem a mil, mas parece que seu livro me inspirou a sentir cheiros, lembrar de cores, cenas e mais cenas...

As lembranças estavam exacerbadas aos quatro cantos que eu avistasse fisicamente ou no movimento das minhas recordações...

Cheirinho de...

Café feito no bule
Lembro-me de quando não precisava de despertador para acordar, apenas sentia do meu quarto o cheirinho do café sendo passado...

Cebola Frita
Não coloca cebola, eu tirava cada pedacinho de cebola que havia na comida, não porque eu não gostava, mas porque achava um nojo morder...

Gramado cortado
Sensação de limpeza misturada com natureza e vontade de pegar uma bola e sair jogando...

Queijo
Mas pai você vai vender queijo? Queijo tem cheiro ruim, não pai, queijo não, minha comida predileta?

Poeira de Engenho
Vontade de colocar o pé no lodo, correr no arroz verde, subir em uma máquina de cortar arroz e tomar um banhozinho no valo, rs

Barulho de...

Silencio
Passam carros, tratores, tobatas, bicicletas que tremem no paralelepípedo, pessoas conversando, mas por volta das 22:00 paira o silencio e sinto poder recolher-me em meus sonhos de uma forma inexplicável...

Relógio de Corda
De meia em meia hora ele toca e a meia-noite toca 24 vezes e assim vai, sempre o dobro e eu ainda não acordo durante a noite...

Caixas
Um vai e vem de carrega e descarrega caminhão, pizza, queijo, presunto e lá vai, opa tem gente trabalhando, ai que vontade de ajudar, posso?

Música
Yeah! Queen, Abba, Dire Straits, Nazareth... Vassoura na mao, cadarço de tênis nas pontas e uhull… Nada de Sertanejo e afins, olhe lá música italiana, o gosto musical dos meus pais é algo que me encanta, fato! I Want to break free... Cresci escutando essa música!





Barulho


Olha o barulho! Me sinto meio que no fantástico mundo de Bob, olhar o barulho? A passos lentos, som da televisão baixo porque como é tudo muito silencioso, qualquer talher que caia pode acordar alguém...

Cenas

Ponto de Ônibus

Quem sabe ainda sou uma garotinha esperando o ônibus da escola... Com um violão maior que eu, livros de Inglês, Química, Geografia (Série Ensino Médio), Livros da Biblioteca Municipal, Trompa (Instrumento Musical de Orquestra), Bolsa da Faculdade, Mala de Viagem...

Encontros na Rua
Oi professora, quanto tempo, Deise tu ainda toca violão? Deise como é que se toca aquele solo? Professora acho que vou entrar na orquestra da cidade! Meus olhos brilham, me arrepio com esse negócio, não estudo mais violão, mas para algumas pessoas acho que sempre serei a roqueira, professora e amante do Legião Urbana!

Estacionamento
Pega, pega a bolinha, 1, 2, 3, 4... Bate taco... Cuidado com os carros, a bolinha ficou na calha, entrou no buraco, cadê a bolinha, 1, 2, 3, 4... Vira! Todo dia quando o mercado fechava lá estávamos nós jogando taco!

Gramados, pastos, arrozeiras
Piquenique! Suco, jabuticaba, ameixa [Pés de frutas, colher frutas e mais frutas], toalha xadrez...
Tocar os marrecos! Entrar no lodo das arrozeiras e sair tocando os marrecos até que eles entrassem no rancho... Um dia em cai em um buraco na arrozeira, não me esqueço disso, rs Tiveram que chamar várias pessoas para me puxarem, sim eu estava atolada no lodo!
Fom Fom! Bi bip! Buzina! Hora de voltar! Ganhei carona de uma amiga de infância e assim como eu disse ao taxista quando cheguei disse para ela: É bom voltar!


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Relax Take It Easy





Tem feito parte do meu cotidiano sentar-me na sacada, acender um cigarro, tomar o meu cafezinho e ficar observando o céu, os passarinhos, as árvores, escutar o cantarolar do papagaio do meu vizinho e confesso que por alguns minutos consigo me esquecer do cinza que está por detrás das árvores, da sirene do corpo de bombeiros, do cartão de ponto do Big, dos carros que passam nas ruas...

Faz pouco tempo que estou nesta nova casa, ainda não adquiri todos os móveis que desejo, muito menos encontrei as cores que imagino para a decoração, digamos que ainda esteja em processo de limpar portas, janelas e rodapés.
Mas eu me mudei e isto exigiu muito, mas muito trabalho era preciso jogar coisas no lixo, (O que eu jogo o que eu não jogo?), doar objetos que não combinariam com a nova casa (Doar, pra quem?), comprar móveis (Quais, de qual cor?), instalar, instalar, instalar (Chuveiro, fogão, transferir telefone, internet, lâmpadas), desmontar, montar móveis, aguardar entregadores, técnicos, mas enfim mesmo com o cansaço que pairava nas minhas pernas e no escuro das minhas olheiras, avistava um lugar meu e aí as dores de todo o processo atenuavam com o brilho e encantamento que via neste novo lugar.

Mas a palavra mudança me chama muito a atenção, e como não chamar né? Bom, vou contar mais uma pequena historinha, que me perdoem os amigos que sabem, mas pra mim é importante e ainda precisa de elaboração, então falo bastante nisso mesmo... No dia 30 de novembro de 2009, perto das 15:30 da tarde eu me acidentei, achei que era tão poderosa que daria conta de fazer uma curva fechadíssima estando a 80 Km, mas enfim, eu estava com tanta pressa que nem vi a velocidade da moto, na verdade vi a velocidade quando já estava prestes a bater em um caminhão da casas bahia (me lembro porque era amarelo e azul e tinha um bonequinho), mas virei o guidão da moto e puft la fui eu escorregando pelo asfalto quente e como eu andava de moto com os meus fones de ouvido, apenas escutei um trecho de uma música: Relax take it easy... E bom, 3 meses de cama, 3 meses no relax take it easy, tive bastante tempo para escrever, escutar músicas e enfim, me enjoar daquele lugar antigo que de relax take it easy não tinha nada e muito menos tinha cores, quem conheceu sabe, ERA UM NINHO, como diz uma amiga, rs

Minha casa nova tem como primeira música Relax Take It Easy, não foi escolhida como digo porque tem churrasqueira, mas sim foi escolhida por conta do verde, azul e coloridos que avisto da sacada...

Ainda tenho um grande sonho em relação a me mudar, tenho paixão por um lugar, mas o mais curioso é que mesmo com passagens compradas, olhando para as malas, penso: Mas e este lugar? Acho que sim, me mudei, no real e no simbólico da palavra, MUDAR, este é o meu lugar, mas ainda preciso ter outros lugares, viajar, enfim encontrar coloridos diferentes para que eu possa trazer pra cá...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Lembranças - A nossa Música




Impossível ouvir a mesma música e não deixar-se arrepiar por melodias que outrora foram marcadas por lágrimas e alegrias, momentos que hoje transformam o silêncio em uma metamorfose de cenas, fantasias, utopias...
Ainda podemos lembrar dos momentos que nos encontramos e desencontramo-nos, mas dificilmente saberemos onde estes se efetivaram, exceto quando pudemos olharmo-nos e dividir traços do nosso encantamento ou quando o nosso amor excedeu-se e então tivemos que viver o nosso desencontro para que pudessemos nos encontrar e quem sabe um dia viver o nosso amor como um desencontro.
E a distância que nos propomos naquele último olhar nos jogou para outros lugares, outros olhares, outras músicas, mas ainda a cadeia de cenas e sons faz desta canção a nossa música, e bom, hoje já podemos nos olhar nos olhos e deixar-mo-nos lembrar com carinho dos nossos tempos, da nossa música.

Ausentamo-nos para viver a nossa presença

sábado, 4 de setembro de 2010

O SILÊNCIO



Há quem diga que silencio é vazio, real, ruído, medo, defesa, loucura...
Particularmente gosto de compreender o silencio por meio de algumas idéias de um educador e compositor chamado Pierre Schaeffer...
Schaffer dizia que as pessoas vivem no silencio e nem se dão conta disso, o autor falava em algo denominado de poluição sonora, para ele era a poluição sonora que provocava a ilusão de que o silencio não existia. A idéia de Schaeffer em relação ao silencio encontra similaridade com o conceito de anestesia, no sentido de que estamos tão habituados com os ruídos (estímulos) e nem nos damos conta do quanto estes nos ensurdecem e emudecem. Ensurdecem e emudecem porque não escutamos mais os sons que vem de cá e de lá e muito menos transformamos isso em palavras ou qualquer outra forma de elaboração.
Desta forma, Schaeffer desenvolveu um método de composição que pautava-se na utilização de objetos sonoros, para o autor, não importava qual o objeto, o que interessava era que algo fosse feito com o ruído, com os ruídos que amortecem o silencio, o autor propôs que todo som poderia virar música quando este fosse fruto de algum processo criativo e assim, Schaeffer criou a música concreta, feita de sons “estranhos” que em “harmonia” transformavam-se em música, sons como: Liquidificador, buzinas, britadeiras, ou seja, ruídos cotidianos transformados em música, para ele, nenhuma nota, por mais harmônica que fosse seria música se não tivesse em uma cadeia.
Pra quem não sabe eu estudei música durante muitos anos, quase conclui minha graduação (falta pouco, eu vou terminar, rs), dei aula de violão e musicalizacao (diz-se musicalizacao, porque entende-se que se entende tão pouco de música que deve-se iniciar pela musicalizacao) e nos últimos anos das minhas atividades musicais utilizei-me dos pressupostos deste autor, quase reprovei no meu estágio final, mas me safei quando saia da sala de aula com a minha supervisora e ela me disse: Deise isso não é música, por sorte minha estavam perfurando uma parede para colocar um ventilador, olhei para o ventilador e olhei para a minha supervisora e disse: Aham, isso é música! Ufa passei em estágio e até hoje quando esta pessoa me encontra ela diz: Não entendo o que tu entende por música!
Apenas uma pequena historinha, que claro, marcou muito minha vida para dizer que as coisas desse blog (Em cores e Melodias) são permeadas por esta idéia, a idéia de que para fazer música, ser artista, não basta transpiração é preciso inspiração e bom, a inspiração vem do topar que ruído é silencio, que excesso de imagem é cinza e que enfim, a vida passa a ser mais leve e colorida quando transformamos isso tudo em uma arte, a Arte particular!

Bem-Vindos!